Foto: Reprodução/ Twitter
Por: Luzia de Marilac
À medida que o Brasil se aproxima de mais uma eleição presidencial, o jogo político vai tomando forma com suas peças deslizando cautelosamente no tabuleiro. Nem tudo está claro à primeira vista, mas nos bastidores, muito já se move. Enquanto a esquerda consolida seus nomes e discursos, a direita segue à procura de uma equação que una força eleitoral, governabilidade e viabilidade jurídica. Nesse contexto, o nome de Tarcísio de Freitas ganha volume — mesmo que ainda envolto em discrição.
O nome que circula em surdina
Tarcísio, governador de São Paulo, ex-ministro da Infraestrutura, técnico por formação e político por consequência, é hoje um dos principais ativos do campo conservador. Não é apenas um nome forte no maior colégio eleitoral do país. Ele é, sobretudo, um personagem com potencial para ser o elo entre diferentes segmentos da direita: o bolsonarismo raiz, o liberalismo econômico e setores conservadores moderados.
Oficialmente, ele reitera apoio a Jair Bolsonaro. Garante que seu compromisso é com o ex-presidente, e não faz qualquer movimento que soe como traição. Mas essa postura contida é justamente o que o torna mais viável: Tarcísio evita embates diretos, não se compromete com polêmicas, e preserva uma imagem técnica.
Bolsonaro e a sombra da inelegibilidade
Jair Bolsonaro, por sua vez, não abre mão do protagonismo. O ex-presidente mantém seu nome (ou o de algum herdeiro político) como prioridade para 2026. No entanto, a sombra da inelegibilidade paira sobre ele. Processos correm, julgamentos se aproximam, e a possibilidade de que ele seja impedido de disputar o pleito não é descartada nem pelos mais otimistas aliados.
Diante disso, o bolsonarismo precisa pensar no “plano B”. E é aí que Tarcísio entra: fiel, discreto, com trânsito no Congresso e aceitação no mercado, surge como uma alternativa capaz de manter viva a chama do movimento, sem carregar seu desgaste.
A política como rio — e cada gota importa
O cenário político brasileiro nunca foi estático. Como um rio, ele está sempre em movimento. As correntes mudam de direção com facilidade, e quem não entende isso pode ser arrastado pela correnteza. A candidatura de Tarcísio ainda é uma possibilidade — talvez um ensaio, talvez um blefe —, mas o fato é que ela já é discutida, sondada e analisada por aliados e adversários.
Cada gesto, cada fala, cada ausência estratégica importa. E Tarcísio parece jogar com o tempo, sabendo que em política o silêncio pode ser mais eloquente do que o discurso. A pergunta, portanto, não é mais se ele quer ser candidato. A pergunta é: quando — e sob quais condições — ele deixará de ser escudeiro para vestir a armadura de protagonista?





