Crônica Social

O sol se põe em Matina, e com ele, as portas dos comércios se fecham. Mas, para muitos, o descanso não vem. No lugar do alívio, uma sombra de incerteza paira no ar. Será que amanhã, ao abrir as portas, as mercadorias, frutos do suor e da labuta diária, ainda estarão ali, intocadas? Outros, pela manhã, se perguntam se conseguirão receber pagamentos dos boletos sem sofrer prejuízo.

Em momentos como este, é comum que busquemos culpados. Uns apontam para o governo, outros para a guarda municipal, outros para a polícia. Mas talvez a pergunta correta não seja “de quem é a culpa?”, e sim “o que podemos fazer juntos para mudar essa realidade?”. Afinal, segurança é uma responsabilidade coletiva e não apenas um problema de uma instituição ou de um segmento específico da sociedade.

A solidez de uma cidade segura se constrói em vários pilares. Em primeiro lugar, educar nossos filhos é essencial para que não entrem nesse caminho sem volta. Quem rouba teve uma família, teve uma infância, e talvez tenha sido impactado por falhas estruturais, pela falta de oportunidades ou pela desinformação. Mas não podemos justificar o crime apenas pela pobreza; o desvio não pode ser visto como solução.

Então, como agir? Pequenas e grandes mudanças podem ajudar a conter essa onda de roubos. Melhorar a iluminação pública torna as ruas menos propícias para a ação criminosa. Câmeras públicas de segurança em pontos estratégicos, nas áreas de comércio, principalmente nas saídas da cidade, podem auxiliar na prevenção e na identificação de infratores. Rondas policiais planejadas, com horários e estratégias definidas, trariam maior presença das forças de segurança nas ruas, aumentando a sensação de proteção.

Mas isso ainda não é suficiente. A comunidade precisa estar mais conectada. Comerciantes podem formar redes de comunicação para alertas rápidos. Programas de apoio social e oportunidades para jovens em situação de vulnerabilidade podem evitar que novos indivíduos sigam pelo caminho do crime. O governo pode investir em políticas de inclusão e de geração de emprego, pois quando há perspectivas de futuro, a criminalidade tende a reduzir.

Se queremos uma Matina mais segura, precisamos nos unir. Não apenas para denunciar, mas para agir. O medo não pode ser maior do que nossa capacidade de transformação.

Então, que tal trocarmos o desabafo pelo diálogo e a revolta pela construção de soluções? Quem sabe, assim, os comerciantes possam dormir mais tranquilos e abrir suas lojas pela manhã com a certeza de que a cidade também trabalha para protegê-los.

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