Na política, há personagens que se vestem de “protetores do povo”. Constroem um teatro, uma encenação cuidadosa. E nós, na plateia, às vezes demoramos a perceber que a máscara é oca e o texto é uma farsa.
A notícia de hoje, vinda de Tocantins, é o roteiro dessa peça triste. Um governador, afastado do cargo para que a Justiça investigue o impensável: o desvio de mais de 70 milhões de reais no auge da pandemia. Era o dinheiro de emendas que deveria comprar cestas básicas para quem perdia o emprego, para quem sentia fome. Mas, segundo a investigação, o recurso virou gado, virou casas de luxo. Virou a mais cruel das ironias: a emergência do povo transformada no enriquecimento ilícito de poucos.
Mas, como se diz, nada fica encoberto debaixo dos céus. Que a investigação seja implacável e puna os verdadeiros culpados. Não apenas os que desviam verbas, mas os que desviam a esperança e roubam a comida da mesa de quem mais precisa, para comprar o que, no fundo, jamais lhes pertencerá. Que a Justiça, enfim, feche as cortinas deste teatro.






