A eleição para a vice-presidência da Assembleia Legislativa da Bahia, adiada novamente nesta quarta-feira (26), escancara uma tensão latente dentro do Partido dos Trabalhadores, mas também revela os dilemas próprios da democracia interna de partidos com vocação de massa.
O nome de Fátima Nunes surgiu, dentro do PT, como o de uma liderança consolidada, representando não apenas uma corrente política, mas também um projeto simbólico. Ao lado de Ivana Bastos na presidência, a Assembleia poderia, pela primeira vez, ser conduzida por duas mulheres — um gesto com força histórica diante de um parlamento que, como tantos no país, sempre foi majoritariamente masculino.
Mas o surgimento da candidatura de Júnior Muniz mudou o cenário. O que parecia consenso, se tornou disputa. A presidente Ivana, demonstrando habilidade política, suspendeu a sessão, abrindo espaço para que o PT, com sua cultura de debate e deliberação coletiva, encontre um caminho de unidade — ou, ao menos, de decisão madura.
É importante lembrar que a democracia, para além do voto direto, se sustenta também na capacidade de um partido ouvir suas vozes internas. O tempo do debate, ainda que por vezes pareça moroso, é o que distingue partidos vivos de estruturas burocráticas. O PT da Bahia, com sua história de organização popular, carrega essa prática em seu DNA.
Por ora, a Secretaria de Mulheres do PT da Bahia já declarou apoio a Fátima Nunes. É uma sinalização clara de que há um projeto político em curso que vai além dos cargos: trata-se da construção de uma presença feminina mais forte no centro do poder, não como exceção, mas como regra.
A cadeira segue vazia, sim — mas o debate que a ocupa é legítimo e, se bem conduzido, poderá reforçar a imagem de um partido que não foge das suas responsabilidades internas. A eleição marcada para o dia 1º de abril, portanto, não será apenas uma escolha de nomes, mas também uma definição de rumo.
É hora de decidir entre bate-chapa ou consenso. E fazer disso um exemplo — para a política baiana e para o país.
Por: Luzia de Marilac





