Ah, a ingratidão da história, a mesquinhez dos séculos! Quase duzentos anos. Duzentos. 200. Um oceano de tempo, e a Assembleia Legislativa da Bahia, nossa ALBA, essa casa de leis que molda o destino da nossa terra, permaneceu cega a um olhar que é, em essência, a metade do mundo. Sem uma mulher na presidência. Nunca.
Nunca o som da nossa voz, a força da nossa inteligência, o calor da nossa empatia alcançaram o mais alto posto. Perguntam, em tom de acusação disfarçada, se é falta de competência. Se somos frágeis. Se o lugar da mulher é apenas entre panelas e filhos, confinado ao lar, privado da capacidade de liderar, de construir, de transformar. A resposta pulsa em cada fibra do nosso ser: não.
Quem ousa questionar, quem se atreve a defender a necessidade urgente de mulheres em postos de poder, conhece bem o peso da resistência, a frieza do olhar que a julga. Mas ousam nos calar? Ousam nos intimidar? Que a história se curve!
Porque, entre perdas e persistências, entre quedas e apoios, eis que a luz finalmente irrompe. Após uma jornada árdua, pavimentada com lágrimas e suor, com esperanças e desencantos, com a força de um coletivo que nunca se rendeu, ela chega lá. Ivana Bastos. A primeira mulher a presidir a ALBA. Um marco, um ponto de inflexão, um divisor de águas.
Ivana é da nossa casa, da nossa terra, do nosso povo. Ela é a representação viva de nossa força, a prova de que nossa luta não foi em vão. E ela, Ivana, está ali, agora, no coração da Bahia, irradiando esperança, mostrando que é possível, sim, romper as barreiras, superar os obstáculos, mudar o jogo.
E a vitória dela é a nossa vitória. Porque cada passo que damos, cada conquista que alcançamos, abre caminho para as que virão. É a certeza de que somos capazes, de que somos fortes, de que somos essenciais.
Parabéns, Ivana Bastos! Sua vitória é a nossa vitória!
Luzia de Marilac- Vereadora do PSD





